Aborto: Maioria dos projetos sobre direitos reprodutivos da mulher representa retrocesso, afirma socióloga

31 de agosto de 2009

Em uma sociedade democrática é normal que grupos contrários à legalização do aborto promovam manifestações em defesa de suas opiniões, assim como têm feito os grupos feministas favoráveis aos direitos reprodutivos da mulher. Essa é a opinião da socióloga Natália Mori, membro da diretoria do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) sobre a terceira edição da Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, que ocorre hoje (30) em Brasília.

Segundo a socióloga, nos últimos anos, o aborto tem se tornado cada vez mais presente em discussões públicas. Para ela, iniciativas de grupos que defendem a legalização têm crescido, o que faz surgirem posicionamentos dos movimentos com opiniões contrárias. “Isso é normal, afinal essa é uma sociedade democrática.”

Hoje o Cfemea monitora cerca de 40 proposições legislativas relacionadas aos diretos reprodutivos da mulher, desde propostas que incentivam o planejamento familiar a projetos que visam a impedir o direito de escolha da mulher em situações de gravidez indesejada. “A onda conservadora que cresce faz com que a maior parte desses projetos seja no sentido de retroagir no que se refere aos direitos reprodutivos das mulheres brasileiras”, diz Natália Mori.

Além da conscientização sobre medidas de prevenção à gravidez, outro objetivo das mobilizações a favor do aborto é diminuir os números de mortalidade materna no país, de acordo com a socióloga.

Dados do Ministério da Saúde apontam que a mortalidade materna atinge cerca de 2 mil mulheres anualmente. Um dos principais motivos para essas mortes é o aborto inseguro e clandestino, principalmente entre jovens em situação de pobreza.

Pesquisa realizada em 2008 pela Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) revela que, por ano, as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) recebem aproximadamente 220 mil mulheres com complicações decorrentes de abortos espontâneos ou intencionais.

“Mulheres que têm recursos vão ter as maiores chances de adquirir medicamentos, de ir para uma clínica. As mulheres pobres vão ser as mais vitimadas, são as que vão morrer de hemorragia. Nós também defendemos a vida já existente, que é a vida das mulheres”, ressalta a socióloga.

Fonte: Agência Brasil

Mulheres do Apitaço vão usar mídias livres

20 de agosto de 2009

O grupo de mulheres Cidadania Feminina promove, a partir da próxima segunda-feira (24/08), o primeiro curso de Mídias Livres para jovens da comunidade do Córrego do Euclides, na Zona Norte do Recife. As aulas fazem parte do projeto Mídia Advocacy, e irão acontecer na sede da entidade, na Rua Córrego do Euclides, 672, Alto José Bonifácio, nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 18h às 21h.

As participantes irão aprender desde o significado do uso de novas tecnologias, dos softwares livres, até o manuseio de ferramentas de edição de áudio. As atividades práticas serão complementadas, aos sábados, com rodas de diálogo sobre comunicação, cidadania e direitos humanos.

A expectativa é que as mulheres possam, ao longo da formação, montar uma rádio poste na localidade.

A proposta, contemplada com o Prêmio de Mídia Livre, oferecido, em junho, pelo Ministério da Cultura (MinC), vai ser desenvolvida até dezembro deste ano. Além do curso, a entidade está montando um Blog e um Twitter para melhorar a comunicação com a sociedade e se articular com outros grupos de mídia livre e organizações feministas de todo o país. Também estão previstas a realização de seminários de comunicação, cursos de produção de rádio e oficinas sobre feminismo e direitos das mulheres.

A ação acontece em parceria com o Fórum de Mulheres de Pernambuco, o Observatório Negro, a Ashoka Empreendedores Sociais e o Ministério da Cultura.

Negras têm salário menor e menos acesso ao mercado de trabalho

16 de agosto de 2009

A discriminação com a mulher negra no mercado de trabalho é visível quando se analisam dados como o salário e o número de vagas ocupadas por elas.

O salário médio da mulher negra com emprego formal, por exemplo, é menos da metade do que o salário de um homem branco. De acordo com a Relação Anual de Informação Social (Rais), do Ministério do Trabalho, a mulher negra ganha, em média, R$ 790 e o salário do homem branco chega a R$ 1.671,00 – mais que o dobro.

No número de empregos, a discriminação também é estampada pelos números. São 498.521 empregos formais de mulheres negras contra 7,6 milhões de mulheres brancas e 11,9 milhões de homens brancos.

A situação dessas mulheres foi um dos temas do 1º Seminário Nacional de Empoderamento das Mulheres Negras, que termina hoje (15), em Brasília.

Segundo a presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos, Creuza Maria Oliveira, que participa do evento, essas trabalhadoras estão em situação ainda pior porque, apesar de terem emprego, não conseguem fazer cumprir as poucas leis que as protegem. “Como o ambiente em que elas trabalham é privado, não há como ter fiscalização para verificar as condições do local e como trabalham”, explica.

Esses direitos começam a ser desrespeitados, segundo ela, no primeiro momento, quando os patrões têm que assinar a carteira. “A carteira assinada foi a primeira conquista que nós alcançamos, há 36 anos. No Brasil, há mais de 8 milhões de trabalhadoras domésticas, mas apenas 2 milhões tem carteira assinada. Mesmo assim, há empregadores que assinam mas não que contribuem com a Previdência”, diz Creuza. A violência sexual e o assédio moral são outras das violações que se seguem segundo ela.

A falta de espaço para as mulheres negras na vida política também foi tema do seminário. Para a reitora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Aurina Oliveira Santana, a capacidade de ter o poder de decisão da mulher negra na sociedade passa por duas questões. “A primeira delas é a formação política. Precisamos que as mulheres marquem presença nos seus partidos sim. E precisamos afirmar nossos espaços”, defende.

Para isso, na opinião de Aurina, é preciso oferecer mais formação às negras. “A formação é a base para que essas mulheres possam se empregar e o resgatar sua auto estima. Precisamos ter uma elevação de escolaridade”, conclui.

Fonte: Agência Brasil

Notícia retirada do JC Online

Mulheres discutem direitos sexuais em Recife

15 de agosto de 2009

O Ponto de Mídia Livre Cidadania Feminina promoveu nos dias 13 e 14 de agosto, o Curso Mídia Advocacy de Direitos Sexuais para mulheres lésbicas. A ação ocorreu na Madalena, das 9h às 17h, em parceria com o Fórum de Mulheres de Pernambuco.

Estava em debate, a liberdade de orientação sexual, direitos humanos, as relações de gênero e a importância da liderança feminina. A proposta conta, ainda, com um treinamento de mídia para as participantes, empoderando as mulheres e fortalecendo a sua fala pública. O projeto também tem o apoio do Ministério da Cultura e Ashoka Empreendedores Sociais.