Arquivo de abril de 2011

Violência contra mulher não registra queda há mais de uma década, revela estudo

sexta-feira, 29 de abril de 2011

BRASÍLIA – Dados do Mapa da Violência divulgados nesta quinta-feira mostram que a violência contra mulher continua sem registrar queda. Considerando estatísticas dos 27 estados, o número de assassinatos de mulheres está estacionado no mesmo patamar há mais de uma década: em 2008, houve 4,17 assassinatos para cada cem mil mulheres. Em 1998, foram 4,27 homicídios para cada grupo de cem mil.

Em 2008, as mortes violentas de mulheres somaram 4.023. Quase metade dos homicídios ocorre dentro de casa: 40%. No caso dos homens, apenas 17% dos assassinatos foram registrados na residência ou habitação. Dado que reforça a violência doméstica como a principal causa dos incidentes fatais, de acordo com o coordenador do Mapa da Violência, Julio Jacobo Waiselfisz.

- O Brasil ainda tem uma cultura de violência contra a mulher. Os dados indicam que grande parte dos crimes são passionais e ocorrem dentro de casa. A impressão que os dados passam é que a violência doméstica é a principal causa dos assassinatos de mulheres – disse o coordenador do estudo.

No período analisado, o Espírito Santo se manteve como o estado que concentrou o maior número de mortes, registrando mais do que o dobro de homicídios (10,9 por cem mil, em 2008), na comparação com a média nacional. Em 1998, 11,3 mulheres foram mortas em cada grupo de cem mil pessoas. Os assassinatos de mulheres no Rio de Janeiro caíram 43,3%, entre 1998 e 2008.

Fonte: O Globo.

Quarto de empregada expõe mazelas da profissão

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Trabalhar mais de oito horas por dia e ainda ter que dormir em um quarto apertado, quente, ao lado de eletrodomésticos, materiais de limpeza e até sucatas. Para as pessoas que respeitam a profissão de empregada doméstica, a descrição acima parece exagero. Mas esta é a realidade de muitas brasileiras que trabalham em casas de família.

Esta quarta-feira, 27 de abril, é o Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Infelizmente, a maioria dessas profissionais não tem muito o que comemorar. Além de não ter os mesmos direitos trabalhistas das demais
categorias, a trabalhadora doméstica é vítima de preconceito e obrigada a aceitar exigências que vão além das suas atividades de trabalho.

A presidente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas da Área Metropolitana do Recife, Luiza Batista, não concorda com as patroas que exigem que suas funcionárias durmam no local de trabalho. “Pessoas que exercem outras profissões não são obrigadas a dormir no trabalho. E se aceitam dormir, recebem adicional noturno e hora extra. Não temos esse direito regulamentado. Porém, se for um acordo entre a patroa e a empregada, que pelos menos seja oferecida uma estrutura adequada para a profissional dormir”, explicou.

Luiza Batista também ressaltou que, ao dormir na residência da patroa, a trabalhadora perde a liberdade e passa a viver em um regime de semi-escravidão. “A funcionária trabalha muito mais do que 44 horas por semana. Muitas vezes, após terminar suas tarefas, já tarde da noite, são chamadas pelos patrões para fazer um lanche ou até buscar um copo d’água. Isso é abuso”, desabafa.

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A empregada doméstica aposentada Eunice do Monte, de 68 anos, começou a trabalhar ainda criança, com 12 anos de idade. “Subia em um banco para alcançar a pia e assim poder lavar os pratos. Durante anos, passei por várias casas. Já dormi em quarto lotado de sucatas, além de botijão de gás, máquina de lavar e tábua de passar. Também já trabalhei em uma casa que não tinha sala e eu precisava acordar de madrugada para não esbarrar com ninguém no corredor. A minha patroa não gostava de ver a empregada dormindo”, contou Eunice.

Outra empregada doméstica, de 51 anos, que preferiu não se identificar, ainda está na ativa e trabalha há quatro anos em um apartamento de classe média alta, localizado no bairro da Jaqueira, no Recife. A residência tem mais de 270 metros quadrados e quatro suítes, além da dependência de empregada. “Se não fosse pelo tamanho e pelo calor, o meu quarto seria confortável. O espaço tem cama, armário e uma televisão, mas é muito quente porque não possui janela. O ventilador não dá conta e todas as noites vou dormir no corredor da área de serviço”, conta a profissional.

Para a doutora em Antropologia e professora de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Liana Lewis, a falta de respeito do brasileiro é agravada pelo preconceito racial e de gênero. “Quando debatemos sobre trabalhadora doméstica, estamos falando, em sua ampla maioria, de mulheres negras. E o trabalho doméstico apresenta-se como uma clara continuidade do trabalho da mulher negra como escrava no espaço da casa grande, ou seja, ela permanece executando, mesmo que de uma forma redimensionada, um trabalho característico da relação escravocrata: assegurando, de forma irrestrita, um confortável cotidiano doméstico dos seus superiores”, disse.

A professora Liana Lewis acha que, mesmo com a legalização da profissão em 1972, não houve avanços na relação patroa x trabalhadora doméstica. “As ‘etiquetas do cotidiano’ segregam as trabalhadoras domésticas, como a restrição do acesso a determinados alimentos na casa, distinção de horários e espaços das refeições em relação aos empregadores, reserva do pior cômodo da casa: isolado, pequeníssimo, com pouca circulação de ar. A trabalhadora doméstica também é usualmente tratada de forma ríspida pelo patronato, não sendo também incomum sofrer assédio sexual dos homens da casa, patrão e filhos”, finalizou.

*A reportagem entrou em contato com várias trabalhadoras domésticas para saber se era possível mostrar, por meio de fotos, o quarto das casas onde trabalham. Infelizmente, elas não receberam autorização das patroas para fotografar o quarto, mesmo sob a condição de que teriam a identidade preservada.

Fonte: Portal ne10

Casa da Mulher do Nordeste e Redes de Mulheres Produtoras lançam Campanha sobre Consumo Consciente e Solidário

terça-feira, 12 de abril de 2011

“O que você consome é essencial para sua vida? – Mulheres organizadas por uma nova forma de consumo.” Esse é o mote da campanha que será lançada pela Casa da Mulher de Nordeste (CMN) na próxima terça-feira (12/04). A proposta é sensibilizar a sociedade para a urgência de serem adotadas práticas de Consumo Consciente e Solidário, modelo que se caracteriza pela escolha de cada pessoa sobre o que e como produzir, consumir e comprar, na perspectiva de uma vida saudável, socialmente justa e ambientalmente sustentável. A iniciativa conta com a parceria da Rede de Mulheres Produtoras do Recife e Região Metropolitana e da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú.

Para garantir o êxito da campanha, a CMN pretende envolver diferentes movimentos sociais e organizações parceiras que atuam com temáticas como feminismo, agroecologia, segurança alimentar e nutricional e economia solidária. Dessa forma, já na Mesa de Diálogo sobre o tema, que acontecerá durante o lançamento da campanha, estão convidadas representantes de articulações e redes nessas áreas. Na ocasião, estarão presentes, ainda, 100 representantes da Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste.

O foco principal da campanha é atingir as mulheres produtoras e os públicos com os quais elas se relacionam (consumidoras/ores diretas/os). No entanto, vai se tentar sensibilizar também a sociedade em geral, através de produtos como outdoor, outbus, panfletos, spots e programas de rádio, faixas, blog etc.

A campanha Consumo Consciente e Solidário integra um projeto mais amplo da Casa da Mulher do Nordeste, chamado TECENDO UM NORDESTE SOLIDÁRIO: Mulheres rurais e urbanas fortalecendo sua cidadania e autonomia econômica. Esse visa atingir, em dois anos, diretamente, 300 mulheres que vivem em situação de pobreza ou de risco, tanto da área urbana (100 mulheres da Região Metropolitana do Recife) como da rural (200 do Sertão do Pajeu), estimulando a capacidade produtiva desse publico, incidindo em políticas públicas e consolidando práticas de Economia Solidária. A iniciativa é patrocinada pela Petrobras, dentro do Programa Desenvolvimento & Cidadania, e pelo Governo Federal.

A campanha começa no dia 12 de abril, e a ideia é de que, durante os dois anos de projeto, ela seja trabalhada, principalmente, tendo as mulheres como agentes multiplicadoras dessa nova forma de consumo.

Fonte: Casa da Mulher do Nordeste

A semana na Cidadania

segunda-feira, 11 de abril de 2011

12.04 (terça-feira)

Reunião do Grupo das Idosas

O grupo de idosas se reúne duas vezes por mês para discutir sobre direitos, saúde, e sua vida na comunidade. Amanhã  a reunião começa às 14h, sempre aberto para novas integrantes.

16.04 (Sábado)

Jantar da Páscoa

A Cidadania Feminina prepara uma noite especial para as mulheres que fazem parte da comunidade do Córrego do Euclides, em comemoração à Páscoa. Além do delicioso jantar que começa às 19h, haverá um bate-papo sobre a vida das mulheres e sorteio de ovos de páscoa.

No massacre de Realengo (RJ), as meninas foram alvo de violência

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres e Meninas alerta, em denúncia pública,  para o crescente feminicídio no País

Há cerca de 15 dias a Campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres e Meninas  fez uma denúncia pública na qual alertava a população e autoridades brasileiras para os altos índices de assassinatos de mulheres no Brasil e suas semelhanças com o feminicídio – assassinato de mulheres por motivo de gênero. Nesta quinta feira, 7, o Brasil amanheceu estarrecido com o massacre  de 11 crianças (10 meninas e um menino) e outras 13  que ficaram feridas (10 meninas e três meninos), a maioria na faixa etária de 12 a 14 anos, vítimas de jovem com aparentes sinais de transtorno mental que agiu na Escola Municipal Tasso Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro.

O número expressivo de meninas, mostrou a preferência do alvo do atirador,  comportamento revelador de uma sociedade com um legado patriacal, sexista, racista e homofóbico. Uma vez que a semana, além do Massacre do Realengo, chega ao seu final com a revelação nas páginas policiais do assassinado  da estudante Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, na Cidade de Cassilândia, no Mato Grosso do Sul  – um dos estados com maior índice de mortes de mulheres – O crime, para a polícia, teve motivação homofóbica.

Frente a esses casos a Campanha, alerta que o Brasil, como signatário dos documentos internacionais de direitos humanos das mulheres e tendo uma avançada legislação nacional a ser cumprida neste e no campo dos direitos de crianças e adolescentes, não pode calar-se e omitir-se.  Alerta também para a tomada de posição dos agentes de estado, para a necessidade de investimentos públicos no atendimento as mulheres e a efetiva implementação de seus direitos humanos.

A petição on line da Campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres aponta informações recentemente divulgadas pelo Instituto Zangari, a partir de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus), revela que entre os anos de 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio. As taxas de assassinatos femininos no Brasil colocam o país no 12º lugar no ranking mundial de assassinatos de mulheres. O estudo mostra  ainda que algumas cidades brasileiras registram índices mais altos.  Assine a  Petição Pública acesse: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N8090

Fonte: Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Porto Alegre.