Ato público marca o Dia de combate à Mortalidade Materna

Nesta quinta (27) e sexta-feira (28), integrantes do movimento de mulheres de Pernambuco realizarão atos públicos para reivindicar políticas e ações de enfrentamento à mortalidade materna. Nesta quinta-feira, a ação será na Assembleia Legislativa de Pernambuco, às 9h. O objetivo é protestar e alertar a população e os deputados sobre as mudanças no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), a aprovação do Estatuto do Nascituro e a instalação da CPI do aborto, medidas que impactam em uma das principais causas de morte materna no Brasil e em Pernambuco, o aborto inseguro.

Durante o ato, os deputados receberão um documento solicitando a implementação de ações que visem a melhoria da assistência médica para as mulheres. Na sexta, o ato será em Vitória de Santo Antão, onde as mulheres denunciam a falta de qualidade na assistência obstétrica.

As ações fazem parte das atividades do Dia Mundial da Saúde da Mulher e de Combate à Mortalidade Materna (28 de maio), e são impulsionadas pelo Fórum de Mulheres de Pernambuco, com apoio das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro e Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB). “Nós queremos que os deputados se comprometam a implementar medidas que garantam os direitos das mulheres para que possamos barrar essas ameaças à democracia e à cidadania. Além disso, também iremos alertar a população sobre os projetos que estão tramitando nas comissões do Congresso Nacional e a implicação desses na vida de nós mulheres”, ressalta a coordenadora do Fórum, Janaiky Pereira.

Na sexta-feira (28), às 14h, haverá passeata em frente a Câmara de Vereadores de Vitória de Santo Antão. A ONG Cidadania Feminina também estará participando da passeata. As mulheres desse município reclamam da falta de assistência médica para mulheres durante o pré-natal e na hora do parto. A cidade realiza mais de 10 mil partos por ano, estando atrás apenas do Recife. No entanto, a taxa de cesáreas (73%) está muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Além disso, 98% dos atendimentos, segundo dados do Comitê Estadual de Estudos da Mortalidade Materna, acontecem nos 60 leitos de clínicas conveniadas, enquanto que o Hospital João Murilo está atendendo abaixo da sua capacidade. Superlotação e baixa qualidade do atendimento às gestantes são relatados com frequência.

Objetivo de Desenvolvimento do Milênio – O Brasil tem até 2015 para reduzir em 75% o número de mortes maternas no país, no entanto, o acordo internacional mediado pela Organização das Nações Unidas e intitulado Objetivos de Desenvolvimento do Milênio terá dificuldades em ser concretizado. Segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes maternas caiu 50% entre 2000 e 2007, mas as taxas continuam altas no Norte e Nordeste. Em Pernambuco, Maranhão, Piauí, Alagoas, Paraíba e Bahia os índices cresceram.

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