Fórum de Mulheres faz Vigília no julgamento do Caso Maristela Just

Um dos casos emblemáticos de impunidade de violência contra a mulher em Pernambuco, após 21 anos, poderá ter fim com a efetivação da justiça. Amanhã, dia 13 de maio, às 9h no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, acontece o julgamento do comerciante José Ramos Lopes Neto, que assassinou sua esposa, Maristela Ferreira Just.

Militantes e familiares de Maristela estarão durante todo o julgamento com cartazes e faixas exigindo justiça. Em carta aberta do Fórum de Mulheres sobre o caso, as militantes chamam atenção para o sentimento de insegurança vivenciado pelas mulheres frente a impunidade para criminosos nos casos de violência contra a mulher. “Esperamos que a justiça do estado de Pernambuco não continue sendo omissa, tendo em vista que o processo tramita há 21 anos, trazendo o risco de que a Justiça não se realize pela prescrição do crime, e que não tenhamos que apelar para cortes internacionais no sentido de vermos a efetiva aplicação das normas, cumprindo com o que a sociedade e as mulheres, especificamente, esperam que é, a condenação do assassino, mesmo que tardia.”, diz a carta.

Esse foi um dos primeiros casos de violência contra a mulher discutidos no âmbito do Fórum, junto ao caso de Kátia Camarotti. Na época o movimento de mulheres foi às ruas pedir a condenação de Ramos e, diante das circunstâncias do crime, assim como toda a sociedade pernambucana, se esperava que o assassino confesso, fosse julgado e condenado. Mas não houve julgamento e muito menos condenação.

Ramos estava separado da mulher, a universitária Maristela Ferreira Just, mas não se conformava com a situação. No dia 4 de abril de 1989, ele se trancou com a mulher e os filhos num dos quartos da casa do sogro, em Piedade, e deu três tiros em Maristela, um tiro na cabeça do filho, então com 2 anos, outro no ombro da filha, de 3 anos, e ainda deixou baleado o cunhado Ulisses Ferreira Just, quando ele tentava socorrer a irmã e os sobrinhos. Depois de anos de fisioterapia, a filha, conseguiu se recuperar totalmente e é ela que impulsiona as ações para este julgamento. O garoto ainda freqüenta sessões de fisioterapia para tentar reativar o movimento do braço esquerdo que ficou inutilizado após o disparo.

Este é mais um caso de impunidade que nos deparamos cotidianamente no que se refere a violência contra as mulheres. É um fato indignante e portanto, o Fórum de Mulheres de Pernambuco esteve e estará presente exigindo Justiça.

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