Tenda da Campanha Mulher escuta Mulher foi bem recebida pela população

Para marcar o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, a ONG Cidadania Feminina, lançou a campanha “Mulher escuta Mulher: Pelo fim da violência”, que teve como principal objetivo acolher as mulheres vítimas de violência, além de fortalecê-las para realizarem as denúncias. Mostrando para o poder público a importância do conhecimento e da aplicabilidade da Lei Maria da Penha. Por três dias, a tenda ficou em frente à Delegacia Especializada da Mulher do Recife, localizada no Bairro de Santo Amaro.

Algumas mulheres procuraram a tenda, principalmente com a dúvida de ir até a Delegacia, apenas para serem ouvidas e acolhidas. Esse foi o caso da vítima Shirlene Tavares, 27 anos, moradora da comunidade Arthur Lundregem I, em Paulista. Ela vinha sofrendo ameaças do ex-companheiro com quem teve três filhos, o mais velho ficou sob responsabilidade do pai que não o trata bem, conta Shirlene. Ela teve de se ausentar da comunidade onde mora por medo das ameaças do ex-marido. “Sempre fui agredida a ponto de não poder voltar mais para casa, não posso ver meu filho de 9 anos, e isso acaba refletindo nos meus outros filhos que já estão tirando notas baixas na escola. Meu ex- marido não trabalha, se apoia na família e não ajuda meus filhos em nada. Só queria pegar meus filhos e morar em outro Estado”, diz.

Algumas mulheres vinham acompanhadas dos filhos, por isso a tenda disponibilizava uma parte dedicada às crianças, e mulheres que participaram da campanha as distraiam enquanto suas mães eram ouvidas. Apesar do curto espaço de tempo verificou-se a importância deste tipo de serviço, avaliou uma das coordenadoras Liliana Barros,  “através das escutas é potencializado o poder de denúncia das mulheres vítimas de agressões”, diz.

Muitas mulheres iam apenas buscar informações sobre a aplicabilidade da Lei Maria da Penha, mas diante de alguns casos eram aconselhadas a encaminhar a denúncia, como foi o caso de Maria Clara [1] , que acompanhada de sua filha de apenas um mês de vida, Maria revelou que é agredida pelo ex-companheiro, pai de sua filha, há sete anos. “ ontem tivemos outra briga e ele me acusou de ter outra pessoa e tentou me agredir com uma regua de pedreiro e depois com um facão, gritei, mas ele ligou o som alto para os vizinhos não ouvir e quebrou minhas coisas em casa. Por isso vim denunciar”, diz.

A tenda agora segue para a Delegacia da Mulher de Prazeres, Jaboatão dos Guararapes. A proposta é ouvir outras mulheres, e que infelizmente passam pela mesma problemática  a violência sexista e doméstica em seus lares.

[1] O nome da vítima foi mudado em respeito a sua identidade.

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