Seminário Nacional sobre Economia Solidária e Feminismo reúne mulheres no Recife

A cidade do Recife recebe, nos próximos dias 27, 28 e 29 de outubro, discussões sobre Feminismo e Economia Solidária. O primeiro Seminário Nacional sobre o tema vai juntar setenta representantes de organizações feministas, empreendimentos solidários e movimentos formados por mulheres na promoção de um outro modelo econômico, mais democrático e menos excludente – e, principalmente, que atue para a visibilidade das mulheres no processo produtivo.

A estatística comprova: as principais responsáveis pelo trabalho doméstico e pelos cuidados com a família continuam sendo as mulheres. Segundo pesquisa do IBGE realizada em 2000, apenas 26% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres. “O que queremos é mudar o panorama. Para isso, é preciso que a mulher se insira na economia e seja reconhecida também pelo trabalho fora de casa”, afirma Graciete Santos, coordenadora geral da Casa da Mulher do Nordeste, organização que está promovendo o Seminário. “Entretanto, não é qualquer tipo de modelo econômico que pode contribuir para a autonomia das mulheres. Apostamos na Economia Solidária, que funciona através de cooperação entre as pessoas e da autogestão”, ressalva.

Participação ainda é pequena

Embora o debate sobre a Economia Solidária tenha tomado impulso, no Brasil, a partir do Fórum Social Mundial de 2001, é pequena a participação efetiva das mulheres nos espaços de discussão a respeito da política e mesmo na gestão de organizações e empreendimentos solidários. “É necessário repensar a atuação das mulheres na Economia Solidária e como elas podem se valer dessa alternativa em direção à sua autonomia. Não podemos falar em justiça e solidariedade quando a participação de homens e mulheres ainda é tão desigual”, afirma Graciete Santos.

Para discutir a questão, foram convidadas ativistas feministas e pesquisadoras da área. Integram as mesas do Seminário Nalu Faria, da Sempreviva Organização Feminista; Vera Soares, da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares; Luiza de Marilac, do GT de Gênero do Fórum de Reforma Urbana; e Michelle Maciel, Raquel Uchoa e Laura Duque, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade Federal Rural de Pernambuco, além das coordenadoras de programa da Casa da Mulher do Nordeste, Itanacy Oliveira e Marli de Almeida.

Além do seminário, a data também é ocasião dos encontros do Grupo de Trabalho de Gênero do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) e da Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste. “Formamos o GT de Gênero na última plenária do Fórum, realizada ano passado. O Grupo de Trabalho é resultado da reivindicação das mulheres e precisa ser estruturado e fortalecido. Este é o momento de definirmos estratégias e objetivos”, conta Graciete Santos. O GT de Gênero foi criado para impulsionar a participação das mulheres na política de Economia Solidária.

Representantes estaduais dos Fóruns de Economia Solidária e mulheres produtoras e que atuam no movimento feminista agitam a discussão. O evento é apoiado pela Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA) e pela Terre Des Hommes Suisse. Participam como parceiros a Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária e a Rede Feminismo e Economia. Todos eles mandam representantes para o Seminário, que acontece no Onda Mar Hotel, em Boa Viagem.

Dados

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) de 2006:

- Dos quase 1,3 milhões de miseráveis do mundo, 70% são mulheres. No Brasil, as diferenças de renda entre mulheres e homens são ainda mais gritantes: em média, as mulheres recebem metade do salário dos homens e, as mulheres negras, a metade do que ganham as mulheres brancas.

- O salário médio das mulheres do setor industrial no mundo representa 3/4 do salário masculino.

- As mulheres executam 2/3 do trabalho realizado pela humanidade.

- As mulheres recebem 1/3 dos valores destinados a salários em esfera mundial. Elas são proprietárias de 1% dos bens imóveis do mundo.

- Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a situação das mulheres está melhorando: em 475 anos haverá a igualdade salarial entre homens e mulheres.

- Em 1990, de acordo com Censo 2000 do IBGE, 30% das mulheres que se declararam como trabalhadoras eram empregadas domésticas, costureiras e professoras primárias.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

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