Manifestação em defesa do aborto

Representantes de movimentos sociais e feministas realizaram manifestação em defesa da legalização do aborto, ontem pela manhã, na esquina da Rua Sete de Setembro com a Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife. Durante o protesto, o grupo de teatro Loucas da Pedra Lilás interpretou a discriminação que as mulheres sofrem desde a Idade Média. No local, houve panfletagem e recolhimento de assinaturas para serem entregues à Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. O ato marcou o Dia de Luta pela Legalização do Aborto na América Latina e Caribe.

De acordo com a coordenadora do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Joana Santos, a intenção do ato foi incentivar o debate sobre a legalização do aborto. “Milhares de mulheres morrem todos os anos por se submeterem a abortos clandestinos. É preciso respeitar a decisão da mulher de querer ou não ser mãe”, disse.

Segundo o Ministério da Saúde, são realizados por ano no Brasil quase 1 milhão de abortos, dos quais mais de 200 mil resultam em sérios problemas à saúde das mulheres, por terem que se sujeitar às clínicas clandestinas. No Brasil, o aborto é considerado crime e só é liberado se a vida da gestante estiver em perigo ou se a gravidez for resultado de um estupro.

Quem passava pelo local apresentava opiniões diversas. Alguns fizeram questão de assinar o documento em apoio ao movimento. Outros se manifestaram contrários. Caso do comerciante Neemias Demétrio de Lima Lino, 30 anos, que defende o aborto apenas em caso de estupro ou enfermidades que levem a mãe ou bebê à morte. “A vida deve ser respeitada e protegida. Não é correto sair abortando sem motivos”, defendeu.

Já para a comerciante Simone Trajano, 32, o aborto deve ser amparado pela legislação brasileira para evitar que mulheres morram devido a consenquências do ato em clínicas clandestinas. “Eu fiz dois abortos, quando tinha entre 16 e 17 anos. Quase morri no segundo. Na época, não tinha condições de assumir a criança. Todas as mulheres poderiam ter esse direito sem ser julgadas”.

Fonte: Jornal do Commercio

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