Arquivo de setembro de 2009

Manifestação em defesa do aborto

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Representantes de movimentos sociais e feministas realizaram manifestação em defesa da legalização do aborto, ontem pela manhã, na esquina da Rua Sete de Setembro com a Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife. Durante o protesto, o grupo de teatro Loucas da Pedra Lilás interpretou a discriminação que as mulheres sofrem desde a Idade Média. No local, houve panfletagem e recolhimento de assinaturas para serem entregues à Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. O ato marcou o Dia de Luta pela Legalização do Aborto na América Latina e Caribe.

De acordo com a coordenadora do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Joana Santos, a intenção do ato foi incentivar o debate sobre a legalização do aborto. “Milhares de mulheres morrem todos os anos por se submeterem a abortos clandestinos. É preciso respeitar a decisão da mulher de querer ou não ser mãe”, disse.

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Excomunhão imposta por Dom José é desaprovada

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Seis meses após episódio, pesquisa mostra que 86% dos católicos foram contra o ato do ex-arcebispo de Olinda e Recife, que excomungou médicos e mãe de menina que abortou após sofrer abuso sexual.

SÃO PAULO – Seis meses depois de uma menina de 9 anos ser excomungada em Pernambuco por ter abortado os gêmeos que esperava do companheiro de sua mãe, que abusava da garota, uma pesquisa do Ibope encomendada pela ONG Católicas pelo Direito de Decidir mostra que 86% dos católicos discordam da decisão tomada pelo então arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho. Na ocasião, ele excomungou a equipe médica e a mãe da criança.

O caso reacendeu uma velha polêmica no País. Embora médicos considerassem que a menina corria risco de morrer, o que tornou necessário o aborto, o arcebispo condenou a decisão argumentando tratar-se de um crime contra a vida humana. Inédita, a pesquisa que investigou a opinião dos brasileiros sobre os temas relacionados à Igreja Católica revelou ainda que 78% dos católicos declararam que a excomunhão de mulheres que recorrerem ao aborto não contribui para diminuir essa prática.

“Essa pesquisa mostra a grande defasagem que existe entre a realidade da maioria dos católicos e as normas oficiais da hierarquia da Igreja”, avalia a coordenadora da ONG, Maria José Rosado, que defende o aborto em qualquer circunstância. “As mulheres abortam não porque são contra a vida, mas porque são responsáveis pela vida. A pesquisa confirma o que já se sabia: as mulheres confiam na sua capacidade moral para tomar decisões éticas”.

Ainda sobre o caso da menina de Alagoinha, em Pernambuco, a pesquisa indicou que 86% dos católicos concordam com a afirmação feita, à época, pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para quem “a lei é clara e garante o aborto, pois foi resultado de estupro e a menina corria risco de vida”.

A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 22 de julho com 2002 pessoas em 142 municípios. O estudo também aponta que 71% dos católicos avaliam que a atitude do arcebispo, ao tentar imepdir a realização do aborto da menina estuprada, e ainda condená-la moralmente diante da opinião pública, “foi considerada uma violência”.

“É uma criança que vivia um sofrimento enorme, vem de um estrato social de pobreza, convivendo com o abuso do companheiro de sua mãe. Quando depois disso tudo essa menina ainda é criticada moralmente, o que sobra para ela?”, indagou Maria José, que participa amanhã de eventos comemorativos ao dia a favor da luta pela discriminalização do aborto em toda a América Latina.

O estudo avaliou também o efeito da posição do Vaticano a respeito da decisão tomada pelo ex-arcebispo do Recife. Na ocasião, o Vaticano se pronunciou: “Antes de pensar na excomunhão, era necessário e urgente proteger a vida inocente da menina. Não era preciso tanta urgência e publicidadce ao declarar um fato que se realiza de maneira automática”.

Outro ponto analisado pela pesquisa foi o acordo firmado entre o Estado e a Igreja Católica, aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto último. Pelo acordo, por exemplo, a Igreja Católica compromete-se a dar assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde e prisionais. O Estado brasileiro, por sua vez, reconhece à Igreja o direito de constituir e administrar seminários e outros institutos eclesiásticos de formação e cultura, criar e modificar instituições eclesiásticas como dioceses, prelazias.

A pesquisa mostra que 78% dos brasileiros são contrários ao acordo entre o governo e a Santa Sé. Desse universo, 46% pensam que o governo não deve fazer acordo com nenhuma religião e 32% avaliam que esse tipo de acordo desrespeita os brasileiros de outras religiões.

Vídeo sobre o Ponto de Mídia Livre Cidadania Feminina

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O projeto Ponto de Mídia Livre – Mídia Advocacy – Cidadania Feminina, realiza nesta quarta-feira, (23), a primeira filmagem para elaboração do vídeo sobre a implementação do Ponto de Mídia Livre. A iniciativa é da ONG Cidadania Feminina, com produção do Mídia Lunar em parceria com o Ventilador Cultural. A gravação ocorrerá às 19h, na sede da organização, que fica no Córrego do Euclides, bairro do Recife. O projeto está capacitando mulheres jovens para fazer da comunicação comunitária, uma estratégia para garantir os direitos das mulheres. Neste primeiro momento, seis jovens participam de oficina de conhecimentos livres, como: o uso do software Linux, instalação de programas, utilização de atalhos, manuseio de editor de textos, imagens, vídeos e áudios. Já o conteúdo da segunda oficina incluiu interação dos conteúdos e atividades iniciais para estabelecer um contado direto por meio do manuseio dos computadores e o uso das ferramentas. No percurso, as jovens estarão aprendendo a usar o editor de aúdio Audacity, um programa livre e gratuito, para edição de áudio digital, que será o principal recurso a ser manuseado na produção do programa de rádio.

Primeiro Encontro sobre Literatura Lésbica de Pernambuco

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Hoje, dia 17 de setembro, a Editora Malagueta e a Livraria Cultura irão realizar o Primeiro Encontro sobre Literatura Lésbica de Pernambuco. O encontro faz parte da programação que antecede a 8ª Parada da Diversidade de Recife, que será dia 20 de setembro, na praia de Boa Viagem.

Estarão presentes no evento Renata Pimentel, professora de literatura das faculdades Fafire e Facho de Recife; Elisa Nóbrega, professora de história da Universidade Estadual da Paraíba com uma pesquisa super original sobre homofobia na literatura, no cinema e nas novelas; Karina Dias, uma autora carioca para lá de simpática, a próxima a ser publicada pela Malagueta; e Laura Bacellar, editora da pimenta literária. Nele também acontecerá o lançamento do livro Shangrilá, da recifense Marina Porteclis, que aborda questões como o preconceito, a família e a coragem de uma mulher homossexual ser quem ela é. A obra conta a vida de Mariana Villa-Real, moça valente e decidida da zona da mata alagoana que se envolve em um relacionamento amoroso com outra mulher e procura viver de forma íntegra e assumir com honestidade os sentimentos.

Confira o vídeo:

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Ponto de Mídia Livre/ Mídia Advocacy – Cidadania Feminina

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

No Córrego do Euclides, bairro do Recife, mulheres jovens estão sendo capacitadas para fazer da comunicação uma estratégia para garantir os direitos das mulheres. A ação faz parte do Projeto Mídia Advocacy e é desenvolvida em parceria com a organização não governamental Grupo de Mulheres Cidadania Feminina, que atua na comunidade, e apoio do Ministério da Cultura. A proposta teve início em agosto deste ano e ainda prevê a instalação de uma rádio comunitária com programação aberta para os movimentos sociais atuantes no Córrego do Euclides. De acordo com a coordenadora da organização, Rejane Pereira, o projeto “vai dar visibilidade à luta das mulheres jovens e negras da comunidade, além de possibilitar seu exercício da fala pública no rádio”.

OficinaNo dia 24 de agosto teve início a primeira oficina de Mídia Livre na sede do Cidadania. Neste primeiro momento, seis jovens participaram de oficina de conhecimentos livres, como: o uso do software Linux, instalação de programas, utilização de atalhos, manuseio de editor de textos, imagens, vídeos e áudios. Já o conteúdo da segunda oficina incluiu interação dos conteúdos e atividades iniciais para estabelecer um contado direto por meio do manuseio dos computadores e o uso das ferramentas. No percurso, as jovens estarão aprendendo a usar o editor de aúdio Audacity, um programa livre e gratuito, para edição de áudio digital, que será o principal recurso a ser manuseado na produção do programa de rádio. Além disso, as participantes do projeto serão orientadas para apresentar, produzir e redigir notícias para o rádio. “Elas vão ter autonomia para colocar a rádio no ar“, garante Rejane.

A integrante do curso, Liliane Nascimento, está feliz com a oportunidade participar da iniciativa: ¨Estou aprendendo muitas coisas que não sabia. Se eu fosse pagar um curso para aprender tudo isso que eu estou aprendendo, não teria condições. Por isso, aproveito cada aula e me esforço ao máximo para poder me capacitar. Penso todos os dias como essa rádio vai ser importante não somente para nós jovens da Cidadania mais sim para toda a comunidade”, afirma.

Thaciany Herculano, outra jovem do projeto, demonstra sua satisfação em participar: “Eu estou achando muito bom e interessante, o curso, a cada dia estou aprendendo coisas novas que vão me beneficiar no futuro. Quando você lê o título ‘mídias livres’, assusta. Mas hoje vejo que o software livre não é um bicho de sete cabeças, ele é bem legal¨.

O projeto Ponto de Mídia Livre/ Mídia Advocacy – Cidadania Feminina já possui o site www.cidadaniafeminina.org.br, Flickr e Twitter. Todos os conteúdos serão administrados pelas jovens do projeto. Para tanto, elas estarão produzindo textos, manuseando sites de busca para alimentar os conteúdos das ferramentas da organização, postando vídeos e fotos no Flickr e ainda relatando pelo Twitter as atividades da ONG. A ação busca a interação com outros Pontos de Mídia Livre e de Cultura, estando desenvolvendo uma teia digital onde os conhecimentos de mídia, gênero, feminismo, comunicação e cultura estabeleçam uma relação de construção social.

Jovens